Banco de Olhos do Tocantins já realizou 35 transplantes; 16 ainda aguardam

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Já foram realizados 35 transplantes no HGP -Nielcem Fernandes (25)

Mais de 70% das famílias que perdem seus entes queridos não autorizam a doação de córneas. A informação é do Banco de Olhos do Tocantins (BOTO) que aponta ainda que o assunto esbarra na falta de informações, barreiras culturais, mitos, medos e muitas vezes na insatisfação com a assistência médica. A média nacional de recusa fica em torno de 40%.

Responsável pelo Banco de Olhos, a oftalmologista Núbia Maia lembra que é preciso que as famílias falem mais sobre doação. “Diante da demanda e do alto índice de pessoas que poderiam doar órgãos e tecidos, é preciso haver uma conscientização para mudar as estatísticas e o caminho para o amadurecimento sobre tema  é o diálogo”, orientou.

Com o intuito de levar um pouco mais de informação à população sobre o procedimento da doação, a oftalmologista considera importante que as  pessoas entendam um pouco mais sobre as medidas primordiais que envolvem doação e transplante.
Nubia explica que o tempo entre a abordagem da família, consentimento familiar e a captação das córneas deve acontecer em no máximo 6 horas de coração parado. Uma vez captada a córnea, ela será preparada e armazenada em um líquido apropriado e o transplante deve ocorrer dentro do tempo máximo de 14 dias.  “Para que todos os procedimentos ocorram com segurança, a Central de Transplantes e o Banco de Olhos contam com uma logística que envolve uma equipe multiprofissional composta por médicos de várias especialidades,cirurgiões dentistas,  enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e administrativos”, pontuou.

Compatibilidade

A compatibilidade entre doador e receptor também é um fator importante e que ainda gera dúvidas. O Banco de Olhos esclarece que todas as pessoas acima de 2 anos e com menos de 80 anos são doadores em potencial e universais,não havendo assim a necessidade de avaliar a compatibilidade entre doador e receptor. As análises realizadas no Banco de Olhos garantem a qualidade do tecido doado, bem como a segurança ao receptor, já que são colhidas amostras de sangue para exames sorológicos de doenças infectocontagiosas, como o HIV e hepatite B.

“Com a constatação da sorologia negativa e o se o tecido apresentar boas condições, a córnea é disponibilizada para Central de Transplante do Estado que irá distribuir para os pacientes que aguardam em uma lista de espera, independente de idade e sexo, obedecendo uma ordem de inscrição” esclareceu, lembrando que  o material a ser transplantado está disponível para candidatos de qualquer parte do País, porém cada estado considera, primeiramente, as suas demandas.

Diante dessa realidade e dos esclarecimentos apontados, a oftalmologista conclama as pessoas que têm vontade de doar que manifestem esse desejo em vida, a fim de que a família, após a sua morte, possa autorizar a realização de todos os procedimentos que envolvem a doação.

Estrutura

Habilitado pelo Ministério da Saúde, o Banco de Olhos do Tocantins está apto para fazer captação e transplante de córneas. Desde dezembro de 2016,  já foram realizados 35 transplantes e outros 16 pacientes aguardam pelo procedimento.

De acordo com a técnica responsável pela Central de Transplantes do Tocantins (CETTO), Suziane Crateús, é de responsabilidade da área elaborar diretrizes para o funcionamento, formação, capacitação, habilitação e educação permanente dos profissionais. “Todas essas atividades precisam estar bem alinhadas com as demais centrais do País, a fim de que a nossa meta seja alcançada, a de possibilitar que cada vez mais pessoas possam ser atendidas”.

Atualmente no Tocantins existem dois hospitais que são credenciados  para a realização dos transplantes de córnea, sendo um público, o Hospital Geral de Palmas, e um privado, o Hospital de Olhos de Palmas.

Cadastro de receptores

Para o cidadão entrar na lista de espera de transplante é necessário que realize uma consulta com um oftalmologista. No serviço público, o paciente tendo em mãos um relatório com a indicação médica, deve procurar a Regulação Estadual, que a encaminhará para o Hospital Geral de Palmas. No ambulatório do hospital, um oftalmologista da equipe transplantadora fará a avaliação, e uma vez constatado a indicação de transplante fará a inscrição do paciente na lista de espera.

No serviço privado, o paciente deve procurar o hospital credenciado onde o médico transplantador fará a avaliação e o inscreverá na lista de espera.

Para doação de córneas e/ou outras informações, entrar em contato com o Banco de Olhos através dos telefones (63) 3218-1061  ou (63) 99208-9392.

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