Educação: Projeto ensina servidores a gerenciar conflitos

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Foto: Núbia Daiana Mota / Governo do Tocantins
Foto: Núbia Daiana Mota / Governo do Tocantins

A Secretaria de Estado da Educação, Juventude e Esportes (Seduc) lançou nesta segunda-feira, 26, em Palmas, o projeto Gerenciar Conflitos nos Espaços de Trabalho – Práticas e Consequências.  A iniciativa tem como objetivo orientar os servidores quanto ao gerenciamento de conflitos no ambiente de trabalho, viabilizando o bom desempenho nas relações interpessoais e visando evitar atitudes de assédio moral.

O trabalho será desenvolvido por meio de palestras, formações, estudos em ambiente virtual, reuniões setorial e multissetorial, trocas de experiências com foco nas temáticas abordadas e monitoramento. Serão atendidos pelo projeto servidores que ocupam cargos de liderança na Seduc; assessores, técnicos e gestores das Diretorias Regionais de Educação (DREs); e profissionais que fazem parte da equipe diretiva das unidades escolares.

Superintendente de Desenvolvimento da Gestão Educacional da Seduc, Valdete Pagani (Foto: Núbia Daiana Mota / Governo do Tocantins)
Superintendente de Desenvolvimento da Gestão Educacional da Seduc, Valdete Pagani (Foto: Núbia Daiana Mota / Governo do Tocantins)

De acordo com a superintendente de Desenvolvimento da Gestão Educacional da Seduc, Valdete Pagani, a proposta da pasta é trabalhar até o final do ano letivo temáticas envolvendo as relações de trabalho e “que incentivem atitudes de respeito, gentileza e diálogo para a resolução dos problemas e dificuldades, além de sensibilizar os líderes e liderados quanto à importância de manter boas relações intra e interpessoais para manter um clima organizacional de ética, cooperação e solidariedade”.

 Trupe da Cultura, formada por servidores da Seduc (Foto: Núbia Daiana Mota / Governo do Tocantins)
Trupe da Cultura, formada por servidores da Seduc (Foto: Núbia Daiana Mota / Governo do Tocantins)

No evento, a Trupe da Cultura, formada por servidores da Seduc, abordou o assédio moral em forma de esquete teatral, enfatizando as formas em que ele pode ocorrer: horizontal, quando acontece do chefe para o subordinado, ou vertical, quando os envolvidos, estão na mesma posição hierárquica dentro da organização.  Com muito humor, as atrizes Sheila Virgínio e Cleuda Milhomem interpretaram situações em que ocorre assédio moral a fim de alertar para a gravidade do tema.

Palestras com especialistas

O desenvolvimento do projeto prevê a realização de palestras com especialistas de diversas áreas para os servidores da Educação. No evento de lançamento, a juíza do Trabalho, Suzidarly Ribeiro Teixeira Fernandes, ministrou palestra com o tema Assédio Moral – Legislação e Normas.

Juíza do Trabalho, Suzidarly Ribeiro Teixeira Fernandes (Foto: Núbia Daiana Mota / Governo do Tocantins )
Juíza do Trabalho, Suzidarly Ribeiro Teixeira Fernandes (Foto: Núbia Daiana Mota / Governo do Tocantins )

A magistrada fez uma análise dos aspectos da relação de trabalho na pós-modernidade, enfatizando que, apesar de ser um fenômeno tão antigo quanto o próprio trabalho, o assédio tem estado cada dia mais evidente, tanto nas organizações privadas quanto públicas. “Ele assumiu novas roupagens, temos visto as pessoas adoecerem mais por causa disso e isso dá mais visibilidade às condutas abusivas e repetitivas no ambiente de trabalho, que atentam contra a dignidade da pessoa e que tem como intenção fragilizar a vítima”, ressaltou.

A juíza destacou a relevância de ações de gerenciamento de conflitos para a melhoria das relações de trabalho. “Quero ressaltar a importância desse projeto, que aborda um assunto tão delicado, mas tão presente nas empresas, no setor público e que tem sido causa do adoecimento de tantas pessoas. Acredito muito nos resultados desse modelo preventivo, baseado no respeito, na reflexão e na formação”, avaliou Suzidarly.

Psicólogo Lucas Borges (Foto: Núbia Daiana Mota / Governo do Tocantins)
Psicólogo Lucas Borges (Foto: Núbia Daiana Mota / Governo do Tocantins)

O evento também contou com a participação do psicólogo Lucas Borges, que palestrou sobre as causas e efeitos psicológicos no indivíduo que sofre assédio moral como “baixa produtividade no trabalho, incapacidade laborativa, isolamento, estresse, ansiedade, depressão”, pontuou.

Segundo ele, para combater o assédio moral é necessário conscientização dos trabalhadores em geral, formação dos líderes com foco nas boas relações de trabalho e monitoramento constante dessas relações dentro das organizações. “As consequências ruins, não são apenas para a pessoa que é vítima, mas também para a equipe e para a instituição. Porém a carga maior recai sobre o que é agredido, que passa por situações vexatórias, humilhantes e recorrentes no trabalho, podendo chegar ao extremo de cometer o suicídio, uma situação gravíssima que pode ser evitada”, ponderou

Coordenadora pedagógica do Colégio Estadual Tiradentes, Ivone Vidigal (Foto: Núbia Daiana Mota / Governo do Tocantins)
Coordenadora pedagógica do Colégio Estadual Tiradentes, Ivone Vidigal (Foto: Núbia Daiana Mota / Governo do Tocantins)

Para a coordenadora pedagógica do Colégio Estadual Tiradentes, Ivone Vidigal, uma das beneficiadas com o projeto, a iniciativa da Seduc culminará em uma nova postura dos profissionais nas unidades escolares. “Achei muito válida a proposta e as palestras foram esclarecedoras, para sabermos nos defender em situações de assédio, e para que nós mesmos não ajamos como um agressor. Acredito que, a partir desse projeto, muitos servidores terão outra conduta em relação aos colegas e os gestores estarão mais preparados para lidar com situações desta natureza”, avaliou.

Ouvidoria

O projeto Gerenciar Conflitos nos Espaços de Trabalho também pretende orientar os servidores a como reagir em caso de assédio moral, seja por meio do diálogo dentro da própria instituição ou informando à Ouvidoria pelo número 162 ou na página da Seduc.

Apesar de o assédio moral de não ser considerado crime, o individuo que pratica  atitudes indevidas pode ser desligado da instituição, sofre medidas administrativas (nos casos de ocupantes de cargos públicos) como improbidade e perda dos direitos políticos, além de chegar a ser enquadrado juridicamente de acordo com a gravidade dos atos cometidos.

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