Polícia Comunitária: efetivo e comunidade discutem modelo japonês

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I Seminário Internacional de Policia Comunitária

Na noite dessa quinta-feira, 29, aconteceu no auditório do Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, em Palmas, o I Seminário Internacional de Polícia Comunitária do Estado do Tocantins. Além do efetivo policial militar, fizeram parte do evento representantes da Polícia Rodoviária Federal, Exército, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar, Guarda Metropolitana e líderes comunitários.

 

Compareceu ao evento o secretário executivo da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Tocantins, Abizair Paniago, a comitiva da Japan International Cooperation Agency (Jica), composta pela perita de longo prazo Hisami Ohashi, o coordenador de projetos Nobuyuki Kimura, pelo assessor técnico da Secretaria de Segurança Pública Nacional (SENASP), Luciano Ribeiro, e pela intérprete, Sílvia Kaneyasu.

 

Também fizeram parte do seminário, policiais militares do Estado do Pará, Mato Grosso e Alagoas, dentre eles, o Secretário Municipal de Segurança Pública de Marituba-PA, coronel Osmar Vieira da Costa Júnior, um dos palestrantes.

 

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Glauber de Oliveira Santos destacou que o seminário foi realizado “no intuito de proporcionar um ambiente no qual os profissionais de segurança pública e a comunidade pudessem discutir sobre polícia comunitária, com inspiração no modelo japonês que é comprovadamente um dos mais eficientes do mundo”.

 

Em seguida a perita de longo prazo, Hisami Ohashi, que ocupa cargo de inspetora e trabalha na Divisão de Comunicação e Comando do Departamento de Polícia Comunitária, em Kyoto, expôs como é a atuação da Polícia Japonesa junto à comunidade. Ela destacou a existência de dois modelos de posto de polícia nas províncias do Japão: o Koban e o Shuzaisho. O primeiro é composto por três ou mais policiais que atuam em locais com grande fluxo de pessoas, como zonas comerciais e de turismo, existem 6.428 unidades.

 

Já o modelo Shuzaisho está presente em bairros residenciais, onde o posto, que também é a moradia do policial, funciona 24h, é composto por apenas uma pessoa e tem 6.431 unidades em todo o país. Nos dois modelos a filosofia de Polícia Comunitária é fator primordial. Ela ainda informou que o Japão passou por um aumento no índice de criminalidade e o que facilitou a reversão desse quadro “não foram os investimentos em armas ou tecnologia, mas o apoio da comunidade” ressaltou a perita.

 

Durante o seminário os capitães Thiago Monteiro e Tiago Nascimento, falaram da experiência que tiveram ao fazer a visita técnica ao Japão, eles disseram que se sentiram impactados ao conhecerem a forma como a polícia japonesa e a comunidade interagem. Para o capitão Monteiro, a valorização do próximo e a responsabilidade coletiva são aspectos importantes para a área de segurança pública. O voluntariado e a participação ativa da sociedade na prevenção da criminalidade são exemplos da cultura japonesa, que os capitães gostariam que fossem absorvidos pelos brasileiros.

 

O secretário municipal de Marituba-PA, coronel Costa Junior, falou da filosofia de Polícia Comunitária aplicada em alguns municípios do Estado do Pará e citou como exemplo a cidade de Santarém, onde o contato direto entre o policial e a comunidade resultou na redução de roubos e homicídios. “É preciso estabelecer uma relação de confiança com o cidadão” ressaltou o secretário.

 

Ao final do Seminário, os capitães do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (CAO) e policiais militares e civis da Assessoria de Polícia Comunitária fizeram a entrega de placas às autoridades, em agradecimento ao apoio recebido para a realização do evento.

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